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quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Não verás nas Mídias Corporativas: Bancos multinacionais lavando dinheiro de corruptos, narcotráfico, terroristas, etc Lucrando Muito e com Punições Brandas

 






DOIS TRILHÕES DE SUSPEITAS

Documentos secretos do governo americano mostram como cinco bancos multinacionais ignoraram alertas e movimentaram dois trilhões de dólares de clientes investigados por crimes de todo tipo durante anos

CONSÓRCIO INTERNACIONAL DE JORNALISTAS INVESTIGATIVOS

20set2020    

Esta reportagem integra o FinCEN Files, projeto conduzido pelo  Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, o ICIJ. Com base em documentos secretos da FinCEN (Financial Crime Enforcement Network), agência do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, a investigação de dezesseis meses desvenda fluxos de dinheiro ilícito pelo mundo. O trabalho reuniu mais de quatrocentos jornalistas do ICIJ e mais 109 veículos de 88 países. No Brasil, participam do projeto piauí, Época e Poder360.


Por que as penalidades financeiras não mudaram o comportamento dos bancos?

Os verdadeiros tubarões se movimentam nas sombras...

John Cassara, especialista em crimes financeiros que trabalhou como agente especial designado para a FinCEN de 1996 a 2002, disse que o volume das penalidades pagas pelo HSBC e outros grandes bancos pode parecer grande, mas é uma pequena fração de seus lucros. E o dinheiro não é pago pelos banqueiros que deveriam ser responsabilizados, disse ele – é pago pelos acionistas.

https://piaui.folha.uol.com.br/dois-trilhoes-de-suspeitas/


E VEJA ESTA:

EUA anunciam novas sanções contra Irã e Maduro
Anúncio foi feito depois de os americanos terem informado que restabelecerão todas as sanções que foram suspensas contra os iranianos pelo acordo nuclear de 2015
Por Valor — São Paulo 21/09/2020
ASSIM COMO A GUERRA ÀS DROGAS SERVE APENAS PARA AUMENTAR OS LUCROS DOS TRAFICANTES MAIS SANGUINÁRIOS E AS VERBAS DE DEPARTAMENTOS CIVIS E MILITARES
AS SANÇÕES AOS CORRUPTOS, PAÍSES PÁRIAS, 'INIMIGOS DA DEMOCRACIA' (QUE NÃO REZAM PELA CARTILHA DOS EUA - OS AMIGOS NÃO SOFREM SANÇÕES...) SERVEM APENAS PARA AUMENTAR OS LUCROS DOS TUBARÕES QUE OPERAM NO LADO ESCURO DA FORÇA ECONÔMICA...

Os FinCEN Files mostram que o JPMorgan – maior banco com sede nos Estados Unidos – movimentou mais de 1 bilhão de dólares para o financista fugitivo que protagonizou o escândalo do fundo de investimento estatal 1MDB da Malásia. Também passaram pelo JPMorgan mais de 2 milhões de dólares destinados à empresa de um jovem magnata acusado de enganar o governo venezuelano e ajudar a causar apagões elétricos em grandes áreas da Venezuela. Ainda segundo os documentos analisados pelo ICIJ, o JPMorgan também processou mais de US$ 50 milhões em pagamentos ao longo de uma década para Paul Manafort, o ex-diretor da campanha eleitoral do presidente Donald Trump condenado à prisão por fraude bancária e fiscal.
(...)
“Ao falhar totalmente em evitar transações corruptas em grande escala, as instituições financeiras abandonaram seu papel de linha de frente contra a lavagem de dinheiro”, disse ao ICIJ Paul Pelletier, ex-oficial sênior do Departamento de Justiça dos Estados Unidos e promotor de crimes financeiros.
Ele afirmou que os bancos sabem que “operam em um sistema amplamente ineficaz”.
(...)
Durante esse período probatório de cinco anos, conforme mostram os FinCEN Files, o HSBC continuou a movimentar dinheiro para personagens questionáveis, incluindo suspeitos de lavagem de dinheiro russos e um esquema de pirâmide investigado em vários países*.
(...)
Nessa época, Averbach e sua família haviam se tornado querelantes em um processo nos Estados Unidos, acusando uma instituição financeira jordaniana, o Arab Bank, de movimentar fundos que ajudaram a financiar terroristas envolvidos no atentado ao ônibus e outros ataques. Os FinCEN Files mostram que, à medida que o litígio lançava uma sombra sobre o Arab Bank, ele se beneficiava de uma relação funcional com um banco muito maior e mais influente: o Standard Chartered.

Estimativas do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime indicam que 2,4 trilhões de dólares em fundos ilícitos são lavados a cada ano – o equivalente a quase 2,7% de todos os bens e serviços produzidos anualmente no mundo. Mas a agência estima que as autoridades detectam menos de 1% do dinheiro sujo no mundo.
“Todo mundo está agindo mal“, reconheceu David Lewis em entrevista ao ICIJ. Ele é secretário-executivo da Força-Tarefa de Ação Financeira – uma parceria de governos de todo o mundo, com sede em Paris, que define critérios contra a lavagem de dinheiro.
(...)
Autoridades de Nova York concluíram em 2012 que o *Standard Chartered havia “tramado com o governo do Irã” durante quase uma década para movimentar 250 bilhões de dólares em transações secretas, arrecadando “centenas de milhões de dólares em taxas” e deixando “o sistema financeiro dos Estados Unidos vulnerável a terroristas e traficantes de armas, chefões do tráfico e regimes corruptos”*.

*Com sede no Reino Unido, o Standard Chartered ajudou os clientes do Arab Bank a acessarem o sistema financeiro norte-americano depois que os reguladores encontraram deficiências nos controles de lavagem de dinheiro do Arab Bank em 2005 e o forçaram a limitar suas transferências de dinheiro nos Estados Unidos.* O Standard Chartered continuou seu relacionamento com o Arab Bank enquanto o processo contra o banco jordaniano corria nos tribunais dos Estados Unidos e mesmo depois que as autoridades notificaram o banco britânico de que ele deveria interromper o processamento de transações para clientes suspeitos.

(...)
JPMorgan pagou 88,3 milhões de dólares em 2011 para resolver as denúncias das autoridades reguladoras de que havia violado as sanções econômicas contra o Irã e outros países sob embargo dos EUA. Funcionários do Tesouro acusaram o banco em 2013 de ter “deficiências sistêmicas” em seus esforços de combate à lavagem de dinheiro, pois o banco “não conseguiu identificar volumes significativos de atividades suspeitas”.

Então, em janeiro de 2014, o JPMorgan pagou 2,6 bilhões de dólares a agências americanas para encerrar as investigações sobre seu papel no esquema fraudulento de pirâmide financeira montado por Bernard Madoff. O banco registrou lucros de mais que o dobro desse valor apenas naquele trimestre. Madoff se declarou culpado e está cumprindo pena de 150 anos em uma prisão federal.

O JPMorgan continuou, após essas ações de coação, a movimentar dinheiro para pessoas envolvidas em supostos crimes financeiros, como mostram os FinCEN Files. Entre elas, Jho Low, financista acusado por autoridades de vários países de ser o mentor do desvio de 4,5 bilhões de dólares de um fundo de desenvolvimento econômico da Malásia, chamado 1Malaysia Development Berhad, ou 1MDB. Ele movimentou pouco mais de 1,2 bilhão de dólares por meio do JPMorgan de 2013 a 2016, segundo os registros.
(...)
SAIBA MAIS:

https://www.linkedin.com/posts/cprospero_com01-activity-6713612446554198016-4Ory


Mussolini Venceu?! 

CORPORAÇÕES se Sobrepõem / Suprimem Interesses das Sociedades (Estados Manipulados)

Apesar de derrotado e morto, na II Guerra, suas ideias regem o mundo global => controle do poder verdadeiro por corporações (manipulando, financeira e intelectualmente, juízes, parlamentares e presidentes  (lobistas redigem e pressionam por leis e decisões executivas e judiciais)


LEIA AQUI:

https://poltica20-yeswikican.blogspot.com/2020/09/mussolini-venceu-corporacoes-se.html

terça-feira, 15 de setembro de 2020

Mussolini Venceu?! CORPORAÇÕES se Sobrepõem / Suprimem Interesses das Sociedades (Estados Manipulados)

 

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Mussolini Venceu?! 

[ Apesar de derrotado e morto, na II Guerra, suas ideias regem o mundo global => controle do poder verdadeiro por corporações (manipulando, financeira e intelectualmente, juízes, parlamentares e presidentes  (lobistas redigem e pressionam por leis e decisões executivas e judiciais)  ]


“Golpe Corporativo“ [filme]


(...) Aqui no país temos um líder muito parecido com Donald Trump em suas táticas de poder. Principalmente no uso das redes sociais para a desinformação e na vulgaridade do discurso (palavra usada no próprio filme). Os dois foram eleitos sob as desculpas de serem o “menos pior” ou “mal necessário” – em que a alternativa seria um proto comunismo que ninguém da direita até hoje conseguiu fundamentar sem se valer de fake news. Na prática, as propostas dos democratas não se encaixavam nos anseios da população em 2016 – e talvez não se encaixem agora em 2020, quando o Agente Laranja tentará a reeleição. “Golpe Corporativo“, então, nos conclama a olhar para dois grandes pilares da sociedade capitalista. O primeiro é o mercado financeiro. Após traçar comparações entre as falas de Trump e as ideias do fascista Benito Mussolini (ele podemos rotular de fascista, creio eu), fica claro que a burguesia não se preocupa com a guinada à extrema direita contanto que o gráfico de lucros siga em alta.

Curioso que, sob o manto do patriotismo, os Estados Unidos vê seu povo trabalhador cada vez pior. Voltando aos pólos industriais destruídos, muito da responsabilidade pode ser creditada à criação da Nafta (área de livre comércio entre o país, Canadá e México), que migrou grande parte da cadeia produtiva para as nações vizinhas – acordo gestado e assinado pelo democrata Bill Clinton. Em nosso texto sobre “A Nova Era do Petróleo” (2018), também exibido na Mostra Ecofalante trouxemos o quanto Barack Obama foi fundamental para o lobby das indústrias de petróleo, revogando leis que protegiam a indústria norte-americana há quarenta anos.

O outro ponto que “Golpe Corporativo” toca é na atuação da imprensa. E aqui temos a grande instituição capaz de chancelar ou evitar a tragédia neofascista que estamos contemplando no horizonte. Comprar o discurso de #GloboLixo por ser o meme da vez não contribui se não entendermos que, parte da engrenagem de poder que manterá Trump, Bolsonaro e seus discípulos no poder por décadas, não tenha na destruição de uma mídia livre uma parte importante. Apoiar a produção de conteúdo independente é primordial, mas olhar atentamente as movimentações das empresas gigantes do ramo também o é. Por enquanto, o discurso econômico ainda é comprado, alinhando a mídia hegemônica ao mercado financeiro e, mesmo que indiretamente, às políticas de Estado. Resta saber até quando.(...)  




"Mussolini era um paradigma para Hitler e Salazar"
O historiador Fernando Rosas vai lançar na próxima semana a investigação Salazar e os Fascismos, na qual enquadra ideologicamente o anterior regime em definitivo. Há surpresas... 

 

Bolsonaro compartilha vídeo que cita bordão de Mussolini no Twitter

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) compartilhou no domingo (31) um bordão popularizado na Itália por Benito Mussolini e fez com que o ditador fascista chegasse à lista de assuntos mais comentados do Twitter

"Melhor viver um dia como leão que cem anos como cordeiro", publicou Bolsonaro. Durante o período em que o movimento fascista teve mais força na Itália, entre as décadas de 1920 e 1940, um dos bordões entoados por Mussolini e seus seguidores era o que foi compartilhado por Bolsonaro - no original, "meglio vivere un giorno da leone che cento anni da pecora".
(...)

Em 2016, o presidente norte-americano, Donald Trump, retuitou a mesma frase que Bolsonaro, e por isso foi alvo de críticas.

Publicada em 13h48min, 01/06/2020


Um alerta contra o fascismo nos dias de hoje

Livro oportuno de Madeleine Albright mostra as semelhanças do movimento autoritário de cem anos atrás com o populismo de hoje e mostra preocupação com Trump

(...) A obra tem dois objetivos claros. O primeiro é esmiuçar as características do movimento autoritário surgido no início do século 20 que forjou Benito Mussolini, na Itália, e Adolf Hitler, com sua versão alemã, o nazismo. O segundo é demarcar as diferenças, que são claras, do fascismo em relação a outros movimentos políticos antidemocráticos recentes, como o populismo.

Albright diz que só assim é possível conscientizar as pessoas para impedir que as condições políticas, econômicas e sociais que levaram à ascensão do fascismo se repitam. Essa possibilidade, segundo a autora, é real – daí o alerta que dá título à obra. De forma incisiva, ela adverte que o atual presidente americano Donald Trump tem sua parcela de culpa por essa nova ameaça.(...)

Albright adverte que é um erro definir o fascismo como uma versão avançada do populismo. Embora os dois movimentos guardem semelhanças, a autora destaca diferenças fundamentais. O fascismo, por exemplo, surge sempre como um movimento de massas, que exige o apoio de praticamente todos os setores de uma sociedade, ricos e pobres, a um líder carismático e autoritário que fará de tudo para conquistar o poder e passar a ideia de que jamais erra. O movimento fascista busca sua energia em homens e mulheres que estão contrariados por terem perdido uma guerra, o emprego ou a sensação de que seu país está em declínio profundo. Quanto mais profundo o ressentimento, mais fácil para um líder fascista ganhar seguidores.

Uma vez no poder, o líder fascista vai eliminar a democracia, perseguir opositores e usar a violência para impor sua vontade. O papel do povo é atender suas ordens e a do líder, governar sem contestação. Albright lembra que, ao começar a ganhar seguidores, Mussolini jamais se preocupou em elaborar um manifesto fascista, “o que nos leva a pensar que o fascismo talvez deva ser visto mais como um ato de conquistar e controlar o poder do que uma ideologia política”.

A Itália dos anos 20, por exemplo, tinha fascistas de esquerda (que pregavam a ditadura dos despossuídos), da direita (que defendiam um Estado corporativista autoritário) e de centro (que queriam a volta da monarquia absolutista). O partido nazista alemão também tinha uma ampla lista de demandas que atendia antissemitas, anti-imigrantes, anticapitalistas e até os que pediam aumento aos aposentados.

Já o populismo é um movimento essencialmente reformista, que opera sempre dentro do contexto democrático e com apoio de apenas uma parcela da sociedade. O populismo de esquerda coloca no centro de sua agenda o antagonismo entre o povo e uma elite. Já o populismo de direita prega o enfrentamento do povo contra uma elite que afaga ou protege um grupo, que pode ser o composto por imigrantes, negros ou outras minorias – a quem são atribuídas as mazelas do país.

“Nessa concepção, um líder fascista certamente será um tirano, mas um tirano populista não necessita ser um fascista para governar”, escreve Albright, destacando o uso recorrente da violência e da intimidação do líder fascista para manter o poder como outra diferença fundamental. Ela usa como exemplo o governo de Hugo Chávez na Venezuela, clássico exemplo de líder populista. (...)

Fatores em comum

Além de explicitar as diferenças entre fascismo e populismo, o livro ganha fôlego ao abordar as semelhanças entre eles. Segundo Albright, as condições políticas, econômicas e sociais que levaram ao surgimento do fascismo cem anos atrás se reproduzem nos tempos atuais, marcados pela ascensão populista — o que, se por um lado causa preocupação, por outro leva muita gente a confundir os dois movimentos.

O mundo dos anos 1920 vivia um período de crise econômica, desemprego em alta causado pelo avanço da Revolução Industrial e vulnerabilidade social pós-Primeira Guerra, o que facilitou a ascensão de líderes políticos radicais, como Mussolini e Hitler. “Invenções como a da eletricidade, o telefone, os trens e barcos a vapor estavam encurtando distâncias e trazendo novas oportunidades da mesma forma que tirou o emprego de milhões de fazendeiros e artesãos. As pessoas estavam em movimento, já que famílias migravam para cidades”, escreveu.

A comparação com os efeitos causados hoje pelo avanço da era digital, da globalização da economia e do aumento de fluxos migratórios é automática. Albright lembra que mais de um terço da força de trabalho do mundo não tem emprego em período integral. Na Europa, o desemprego entre jovens é de 25%, com nível ainda maior entre os imigrantes. Nos EUA, um em cada seis jovens está fora da escola e do mercado de trabalho. Os salários, em termos reais, estão estagnados desde os anos 70

Para a autora, “em muitos países, o clima é reminiscente daquele que, há cem anos, deu origem ao nazismo e fascismo”.(...)

Durante a campanha presidencial, Trump traçou um cenário terrível de desesperança social e econômica no país. Mas, enfatiza a autora, entre 2009 e 2016, a inflação permaneceu baixa, a taxa de desemprego caiu pela metade e a força de trabalho nos EUA aumentou para 12 milhões de vagas. “Se não há razões para estarmos satisfeitos com a economia, tampouco há para cair na crença de que o autoritarismo é, de alguma forma, a opção mais prática”, escreveu.(...)

Segundo ela, o papel de liderança global exercido pelos Estados Unidos desde o fim da Segundo Guerra foi fundamental para evitar a retomada fascista. Essa política, com erros e acertos, visava sempre a manutenção dos valores democráticos, que Trump demonstra desprezar. Sua decisão de retirar os EUA do cenário global, segundo Albright, representa uma grande ameaça. Ela lembra que a última vez que isso ocorreu, nos anos 20 e 30, foi justamente quando fascismo emergiu

“Líderes ao redor do mundo observam, aprendem e copiam de outros líderes. Eles caminham sobre as pegadas dos outros, como Hitler fez com Mussolini – e hoje o rebanho está andando em direção ao fascismo.”

Albright também aponta o vazio atual do centro político em vários países (incluindo nos EUA) como outro fator preocupante para o futuro da democracia mundial, pois favorece a ascensão de líderes radicais que desprezam a democracia

Com Trump, o risco é maior. “Se esse círculo de déspotas não tivesse surgido, a influência desalentadora de Trump seria provavelmente temporária e administrável, um mal menor cujo corpo saudável poderia facilmente se recuperar. Mas com a ordem internacional baseada na lei lutando contra uma infinidade de doenças, a tendência é de o sistema imunológico se enfraquecer. Esse é o perigo que estamos confrontando”, vaticinou.




O corporativismo é uma ideologia política que defende a organização da sociedade por grupos corporativos, como associações agrícolas, trabalhistas, militares, científicas ou associações de guilda, com base em seus interesses comuns.[1][2] O termo é derivado do latim corpus, ou "corpo humano". A hipótese de que a sociedade atingirá um pico de funcionamento harmonioso quando cada uma de suas divisões desempenhar eficientemente sua função designada, como os órgãos de um corpo que contribuem individualmente com sua saúde e funcionalidade gerais, está no centro da teoria corporativista.

As ideias corporativistas foram expressas desde as sociedades grega e romana antigas, com integração no ensino social católico e nos partidos políticos democráticos cristãos. Elas foram emparelhadas por vários advogados e implementadas em várias sociedades com uma ampla variedade de sistemas políticos, incluindo autoritarismo, absolutismo, fascismo, liberalismo e socialismo.[3]

O corporativismo também pode se referir ao tripartismo econômico que envolve negociações entre grupos de interesses trabalhistas e comerciais e o governo para estabelecer políticas econômicas.[4] Às vezes, isso também é chamado de neocorporativismo ou corporativismo social-democrata.[5]

Índice
1 Corporativismo de parentesco
2 Corporativismo na Igreja Católica Romana
3 Política e economia política
3.1 Corporativismo comunitário
3.2 Corporativismo absolutista
3.3 Corporativismo progressivo
3.4 Solidarismo corporativo
3.5 Corporativismo liberal
3.6 Corporativismo fascista
3.7 Neocorporativismo
3.8 Corporativismo chinês
3.9 Corporativismo russo
4 Ver também
5 Referências
6 Bibliografia
7 Leitura adicional
7.1 Sobre o corporativismo italiano
7.2 Sobre o corporativismo fascista e suas ramificações
7.3 Sobre o neocorporativismo
8 Ligações externas




O corporativismo nas ditaduras da época do Fascismo

RESUMO

Este artigo analisa o papel do corporativismo como um instrumento político contra a democracia liberal e especialmente como um conjunto de instituições autoritárias que se expandiram na Europa e foram um agente de hibridização das instituições das Ditaduras da Era do Fascismo. Pretende demonstrar que o corporativismo esteve na vanguarda deste processo de difusão, quer como representação de interesses organizados quer como alternativa de representação política autoritária à democracia liberal.

Palavras-chave: fascismo, ditaduras, corporativismo, parlamentos

Introdução

O corporativismo imprimiu uma marca indelével nas primeiras décadas do século XX, tanto como um conjunto de instituições criadas pela integração forçada de interesses organizados (principalmente sindicatos independentes) no estado, quanto como um tipo "orgânico-estatista" de representação política alternativa à democracia liberal.1 As variantes do corporativismo inspiraram os partidos conservadores, os radicais de direita e os fascistas, sem mencionar a Igreja Católica Romana e as opções de "terceira via" de segmentos das elites tecnocráticas. Também inspiraram ditaduras – desde o Estado Novo português, de Antônio de Oliveira Salazar, até a Itália, de Benito Mussolini, e a Áustria, de Engelbert Dollfuss, passando direto para os novos estados bálticos, onde criaram instituições para legitimar seus regimes. Variantes europeias se espalharam pela América Latina e a Ásia, especialmente no Brasil de Getúlio Vargas e na Turquia.2

Quando olhamos para as ditaduras do século XX, percebemos algum grau de variação institucional. Partidos, governos, parlamentos, assembleias corporativas, juntas e todo um conjunto de "estruturas paralelas e auxiliares de dominação, mobilização e controle" se tornaram símbolos da (muitas vezes tensa) diversidade característica dos regimes autoritários.3 Essas instituições autoritárias, criadas no laboratório político da Europa do Entre Guerras, expandiram-se por todo o mundo, após o fim da Segunda Guerra Mundial: principalmente a personalização da liderança, o partido único e os legislativos "orgânico-estatistas". 

Alguns contemporâneos do fascismo já tinham percebido que algumas das instituições criadas pelas ditaduras do Entre Guerras poderiam ser duráveis. Como percebeu um observador comprometido do início do século XX, o acadêmico romeno e politicamente autoritário Mihail Manoilescu, "de todas as criações políticas e sociais do nosso século – o qual para o historiador começou em 1918 – há duas que têm enriquecido de forma definitiva o patrimônio da humanidade (...) o corporativismo e o partido único".4 Manoilescu dedicou um estudo para cada uma dessas instituições políticas, sem saber, em 1936, que alguns aspectos destas seriam de longa duração e que o corporativismo se tornaria um dos instrumentos políticos mais duráveis das ditaduras.5

As ditaduras do Entre Guerras eram regimes autoritários personalistas.6 Mesmo os regimes que foram institucionalizados por golpes militares ou as ditaduras militares deram origem a regimes personalistas e tentaram criar partidos únicos ou dominantes. A personalização da liderança dentro dos regimes ditatoriais tornou-se uma característica dominante da era fascista.7 

No entanto, os autocratas precisavam das instituições e das elites para exercerem seu poder e seu papel tem sido muitas vezes subestimado, uma vez que foi dado como certo que o poder de tomada de decisão estava centralizado nos ditadores.8 

Para evitar o enfraquecimento de sua legitimidade e a usurpação de sua autoridade, os ditadores precisavam cooptar as elites e criar ou adaptar as instituições para serem o lócus da cooptação, da negociação e (às vezes) da tomada de decisões: "sem as instituições eles não podem fazer concessões políticas".9 Por outro lado, como Amos Perlmutter observou, nenhum regime autoritário pode sobreviver politicamente sem o apoio fundamental de setores das elites modernas, tais como os burocratas, os gestores, os tecnocratas e os militares.10

Se os regimes fascistas típicos da Itália e Alemanha foram baseados na tomada de poder por um partido, muitos governantes civis e militares da Europa do Entre Guerras não tiveram uma "organização já feita na qual confiar".11 Para contrabalançar sua posição precária, os ditadores tenderam a criar partidos que sustentassem o regime. Alguns movimentos fascistas emergiram durante o período do Entre Guerras, quer como rivais ou como parceiros instáveis dentro do único – ou dominante – partido de governo, quer muitas vezes, como inibidores de sua formação, tornando a institucionalização dos regimes mais difícil para os candidatos a ditadores. 

Os ditadores do Entre Guerras também estabeleceram parlamentos controlados, assembleias corporativas ou outros órgãos consultivos burocráticos e autoritários. As instituições políticas das ditaduras, mesmo aqueles legislativos que alguns autores descreveram como "nominalmente democráticos", não eram apenas uma fachada: eles foram capazes de afetar a formulação de políticas.12 

Os autocratas também precisavam da complacência e da cooperação e, em alguns casos, a fim de "organizar compromissos políticos, os ditadores também precisaram de instituições nominalmente democráticas", que pudessem servir como fóruns nos quais as facções, e até mesmo o regime e sua oposição, pudessem forjar acordos.13 "Instituições nominalmente democráticas podem ajudar os governantes autoritários a manter coalizões e a sobreviver no poder",14 e "parlamentos corporativos" são instituições legitimadoras das ditaduras e também são, algumas vezes, o lócus desse processo.

Neste artigo, vamos examinar o papel do corporativismo como um dispositivo político que agiu contra a democracia liberal e que permeou a direita política durante a primeira onda de democratização, especialmente, no que diz respeito ao conjunto de instituições autoritárias que se espalharam por toda a Europa do Entre Guerras, tendo sido um agente de hibridação das instituições da era das ditaduras fascistas. Processos poderosos de transferências institucionais marcaram as ditaduras do Entre Guerras e o objetivo desse artigo é demonstrar que o corporativismo esteve na vanguarda desse processo de difusão transnacional, tanto como uma nova forma de representação de interesses organizados, quanto como alternativa autoritária à democracia parlamentar.15
(...)




segunda-feira, 8 de setembro de 2014

O Sequestro da América - Como as Corporações Financeiras Corromperam os Estados Unidos


Sinopse
Baseado em uma série de documentos judiciais recentemente divulgados, "O Sequestro da América" detalha a extensão dos crimes cometidos na especulação frenética que causou o crack em 2008. Defendendo a tese de que, a partir da administração Reagan, nos anos 1980, os dois maiores partidos políticos americanos se tornaram reféns da elite mais rica e voraz do país, o autor demonstra como a administração Clinton desmantelou os controles regulatórios que protegiam o cidadão médio dos financistas gananciosos; como a equipe de Bush destruiu a base da receita federal, com seus cortes de impostos grotescamente distorcidos a favor dos ricos; e como o primeiro governo de Obama permitiu que criminosos financeiros continuassem a operar sem controle, mesmo depois das supostas "reformas" implementadas após o colapso de 2008.

QUALQUER SEMELHANÇA COM NOSSA SITUAÇÃO (Brasil) ECONÔMICA E POLÍTICA É "MERA COINCIDÊNCIA"?!

Muitos livros já foram escritos sobre a crise financeira, mas há duas razões pelas quais decidi que ainda era importante escrever este.

A PRIMEIRA RAZÃO é que os caras maus escaparam e, surpreendentemente, houve pouco debate público a esse respeito. Quando recebi o Oscar de melhor documentário em 2011, eu disse: “Três anos após uma horrível crise financeira causada por fraude em massa, nenhum executivo financeiro foi para a cadeia. E isso é errado.” Questionados posteriormente sobre a falta de processos, altos funcionários do governo Obama responderam de maneira evasiva, sugerindo que não havia acontecido nada ilegal ou que as investigações prosseguiam. Nenhum dos principais candidatos republicanos à presidência levantou o assunto.

No começo de 2012 não havia ainda um único processo penal contra um alto executivo financeiro relacionado à crise financeira. Nem o governo federal fez qualquer tentativa séria de usar ações civis, confisco de bens ou liminares para multar ou obter indenizações dos responsáveis por lançar a economia mundial na recessão. Não porque não tenhamos evidências de comportamento criminoso. Desde o lançamento do meu filme surgiu um grande volume de material novo, em especial a partir de processos particulares, que revela – por intermédio de trocas de e-mails e outras provas – que muitos banqueiros, incluindo altos administradores, sabiam exatamente o que estava acontecendo, e que isso era altamente fraudulento.

(...) Há hoje evidências esmagadoras de que ao longo dos últimos trinta anos o setor financeiro dos Estados Unidos se tornou um setor sem princípios. À medida que sua riqueza e seu poder aumentavam, ele subverteu o sistema político do país (incluindo os dois partidos políticos), o governo e instituições acadêmicas de modo a se livrar de controle externo. À medida que a desregulamentação avançou, o setor financeiro se tornou cada vez mais antiético e perigoso, gerando crises cada vez maiores e uma criminalidade cada vez mais flagrante. Desde os anos 1990 seu poder tem sido suficiente para proteger os banqueiros não apenas de uma regulamentação efetiva, mas da própria legislação penal. O setor financeiro é hoje um setor parasitário e desestabilizador que constitui um grande empecilho ao crescimento econômico americano.

Isso significa que processos penais não são apenas uma questão de vingança, ou mesmo de justiça. Punição de verdade para o crime financeiro em grande escala é um elemento vital da rerregulamentação financeira, que por sua vez é essencial para a saúde econômica e a estabilidade dos Estados Unidos (e do mundo). Regulamentação é bacana, mas a ameaça de prisão faz a pessoa se concentrar. Um conhecido especialista, o gângster Al Capone, disse uma vez: “Você pode ir muito mais longe na vida com uma palavra gentil e uma arma do que apenas com uma palavra gentil.” Se os executivos financeiros souberem que irão para a cadeia ao cometer grandes fraudes que ameacem a economia mundial, e que sua riqueza ilegal será confiscada, provavelmente terão uma tendência muito menor a cometer tais fraudes e causar crises financeiras globais. Então, uma razão para escrever este livro é apresentar em detalhes claros os argumentos para processos penais. Neste livro demonstro que muito do comportamento por trás da bolha e da crise foi literalmente criminoso, e que a falta de processos é quase tão ultrajante quanto o comportamento original do setor financeiro.

A SEGUNDA RAZÃO pela qual decidi escrever este livro foi que a ascensão das finanças predatórias é ao mesmo tempo causa e sintoma de uma mudança mais ampla e ainda mais perturbadora na economia e no sistema político dos Estados Unidos. O setor financeiro está no cerne de uma nova oligarquia que ascendeu ao poder nos últimos trinta anos, e que modificou profundamente a vida americana. Os capítulos finais deste livro são dedicados a analisar como isto aconteceu e o que significa.

A partir de 1980 a sociedade americana começou a passar por uma série de alterações profundas. Desregulamentação, redução da aplicação das leis antitruste e mudanças tecnológicas levaram a uma concentração crescente na indústria e nas finanças. O dinheiro começou a desempenhar um papel maior e mais corruptor na política. Os Estados Unidos ficaram atrás de outros países em educação, infraestrutura e no desempenho de suas principais indústrias. A desigualdade aumentou. Como resultado dessas e de outras mudanças, os Estados Unidos estavam se transformando em um jogo de cartas marcadas – uma sociedade que nega oportunidades aos que não são filhos de famílias ricas, uma sociedade que se assemelha mais a uma ditadura terceiro-mundista do que a uma democracia avançada.

(...) nos últimos trinta anos os Estados Unidos foram tomados por uma oligarquia financeira amoral, e o sonho americano de oportunidade, educação e mobilidade social está hoje em grande medida limitado ao pequeno percentual mais abastado da população. As políticas federais estão sendo cada vez mais ditadas pelos ricos, pelo setor financeiro e por outros setores poderosos (embora algumas vezes muito mal administrados) como telecomunicações, assistência médica, automobilístico e energético. Essas políticas são implantadas e louvadas pelos servos voluntários desses grupos, em especial a liderança cada vez mais comprada dos partidos políticos, da academia e da indústria do lobby americanos.

Caso não seja interrompido, esse processo transformará os Estados Unidos em uma sociedade decadente e injusta com uma população empobrecida, raivosa e ignorante sob o controle de uma pequena elite ultrarrica. Tal sociedade seria não apenas imoral, mas também instável e perigosamente fértil para o extremismo religioso e político.

Até o momento os dois partidos políticos foram muito inteligentes e eficazes em esconder essa nova realidade. De fato, os dois partidos criaram uma espécie inovadora de cartel – um acerto que chamei de duopólio político americano, e que analiso detalhadamente mais à frente. Os dois partidos mentem sobre o fato de que se venderam ao setor financeiro e aos ricos. Até agora eles tiveram bastante sucesso com a mentira, em parte ajudados pelo enorme volume de dinheiro que é gasto hoje com propaganda política enganosa e manipuladora. Mas isso não pode durar indefinidamente; os americanos estão ficando com raiva, e mesmo quando equivocadas ou mal informadas, as pessoas têm uma sensação profunda, visceral, de que estão sendo sacaneadas. Tanto o movimento conservador Tea Party quanto o Occupy Wall Street são pequenos sinais iniciais disso.

(...) Antes de entrarmos no cerne dessas questões, eu talvez devesse fazer um comentário sobre minhas convicções. Não sou contra empresas, lucros ou enriquecimento. 

Não tenho nenhum problema com pessoas ficando bilionárias – caso consigam isso vencendo uma disputa justa, caso suas realizações justifiquem isso, caso paguem sua parcela justa de impostos e caso não corrompam sua sociedade. As pessoas que fundaram a Intel ficaram muito ricas – e isso é ótimo. Elas tinham doutorado em física. Elas trabalharam muito duro. Trataram seus funcionários com justiça. E nos deram mil vezes mais do que tomaram. Em sua primeira década de operações, a Intel inventou microprocessadores e as três formas mais importantes de memórias de semicondutores. Um dos fundadores da Intel – Robert Noyce, que eu uma vez tive a honra de conhecer – foi ele mesmo um dos inventores do circuito integrado. Não tenho nenhum problema com o fato de que Bob Noyce, Gordon Moore e Andy Grove ganharam muito dinheiro. O mesmo vale para Larry Ellison, da Oracle; Steve Jobs e Steve Wozniak, da Apple; os fundadores de Google, eBay, Craigslist, Amazon e Genentech, e, a propósito, Warren Buffett.

Mas não foi assim que a maioria das pessoas citadas neste livro ficou rica. A maioria delas ficou rica por conta de boas ligações e falta de escrúpulos. E elas estão criando uma sociedade na qual se pode cometer crimes econômicos terrivelmente daninhos com impunidade, e na qual apenas os filhos dos ricos têm a oportunidade de fazer sucesso.

É com <ISSO> que eu tenho problemas. E acho que a maioria das pessoas concorda comigo.


(...) Para a maioria dos americanos, há muitos anos salários e renda familiar total têm se mantido estáveis ou diminuído. A crise financeira, a recessão e a recuperação” sem empregos que os Estados Unidos experimentaram desde 2008 são apenas a mais recente e pior provação de um processo que começou muitos anos antes. De fato, mesmo durante a prosperidade artificial da bolha financeira de 2001-2007 os salários dos americanos médios permaneceram estáveis ou diminuíram, enquanto a renda dos ricos disparou.

Nenhum outro país desenvolvido, nem mesmo a Grã-Bretanha com sua tradicional divisão social, chega perto das extremas desigualdades de renda e riqueza dos Estados Unidos em 2002. Entre 2001 e 2007, os anos da grande bolha financeira, o 1% superior das famílias americanas ficou com metade do crescimento total de renda do país. Não costumava ser assim; a mudança começou nos anos 1980. A parcela de renda tributável da camada superior de 1%, incluindo ganhos de capital, passou de 10% em 1980 para 23% em 2007. É a mesma percentagem que vigorara em 1928, e aproximadamente o triplo da parcela que o 1% mais alto detinha nos anos 1950 e 1960, quando os Estados Unidos tinham um crescimento econômico muito maior e nenhuma crise financeira. Com a queda violenta das ações desde a quebra financeira, a parcela do 1% superior caiu para “apenas” 17% em 2009, mas depois subiu novamente para cerca de 20%. Hoje a riqueza americana é ainda mais concentrada que a renda – o 1% mais rico dos americanos possui cerca de um terço de toda a riqueza líquida do povo americano, e mais de 40% de toda a riqueza financeira dos Estados Unidos. Isso é mais que o dobro da parcela detida pela camada inferior de 80% da população.5

Em consequência, nem todos sofreram na década anterior; CEOs, o setor financeiro, o de energia, lobistas e os filhos dos já ricos se saíram bem. Desde 2000 as quatro maiores petroleiras americanas acumularam mais de 300 bilhões de dólares em lucros excedentes – definidos como lucros acima da taxa de lucro da década anterior. Os bônus dos bancos de investimento foram enormes também – estimados em 150 bilhões de dólares ao longo da década. O salário anual médio dos banqueiros de Nova York, que hoje é de 390 mil dólares, permaneceu basicamente igual mesmo depois que o setor entrou em colapso em 2008.

O outro lado do aumento da desigualdade no país é um declínio obsceno e moralmente indefensável da justiça da sociedade americana – em educação, oportunidade de emprego, renda, riqueza e mesmo saúde e expectativa de vida. Com exceção das famílias ricas, as crianças nos Estados Unidos têm hoje menos educação que os pais, e irão ganhar menos dinheiro que eles. Ainda pior, as oportunidades e as vidas dos jovens americanos são cada vez mais determinadas pela riqueza dos pais, não por suas próprias capacidades ou seus esforços.

Muitos americanos sem dúvida ainda acreditam no sonho americano. É o caso de pensar por quanto tempo conseguirão sustentar essa ilusão, pois os Estados Unidos estão se transformando em um dos países industrializados mais injustos, mais rígidos e com menos mobilidade social. Nos Estados Unidos, hoje, a renda familiar tem peso de aproximadamente 50% para determinar as perspectivas econômicas de um filho durante a vida. Alemanha, Suécia e mesmo a França, com sua forte estrutura de classe, são hoje sociedades mais justas e com maior mobilidade social que os Estados Unidos – em média a renda familiar tem peso de apenas cerca de 30% na determinação do desempenho da geração seguinte. As sociedades realmente igualitárias com grande mobilidade são Canadá, Noruega, Dinamarca e Finlândia, onde a renda dos pais responde por apenas cerca de 20% dos ganhos de um filho durante a vida. Mesmo muitos países “em desenvolvimento”, como Taiwan e Coreia do Sul, têm hoje graus de oportunidade e igualdade superiores aos dos Estados Unidos.

(...) Pairando acima de tudo isso há uma impressionante, embora completamente cínica, inovação por parte dos políticos americanos: o duopólio político. Ao longo do último quarto de século os líderes dos dois partidos políticos aperfeiçoaram um sistema impressionante de permanecer no poder enquanto servem à nova oligarquia dos Estados Unidos. Ambos recebem um enorme volume de dinheiro, sob muitas formas – doações de campanha, lobbies, contratações pelo setor privado, favores e acesso especial de diversos tipos. Políticos dos dois partidos enriquecem e traem os interesses do país, incluindo a maioria das pessoas que votaram neles. Mas os dois partidos ainda conseguem apoio porque exploram habilmente a polarização cultural dos Estados Unidos. Os republicanos alertam os conservadores para os perigos de secularismo, impostos, aborto, bem-estar social, casamento gay, controle de armas e liberais. Os democratas alertam os social-liberais para os perigos de armas, poluição, aquecimento global, proibição do aborto e conservadores. Ambos os partidos fazem uma cena pública de como seus confrontos são ácidos e como seria perigoso que o outro partido chegasse ao poder, enquanto se prostituem com o setor financeiro, indústrias poderosas e os ricos. Assim, a própria intensidade das diferenças entre os dois partidos quanto a “valores” permite a eles cooperar no que diz respeito a dinheiro.

TRECHOS ACIMA EXTRAÍDOS DE:
Pages from FERGUSON_OSequestroDaAmerica_28-01-13

VER TAMBÉM:
Charles Ferguson: "O setor financeiro pode fazer estragos enormes"
O documentarista e escritor americano afirma que uma elite financeira “sequestrou” a política dos Estados Unidos. Para ele, nada mudou no país desde a crise de 2008
RODRIGO TURRER - 01/08/2014 07h01 - Atualizado em 01/08/2014 08h19


2012 Robert Bridge: Meia-noite no Império Americano-Como corporações e seus agentes políticos estão destruindo o Sonho Americano // Deveria o Mundo dos Negócios ser separado da Política, como foi o caso com a separação entre Igreja e Estado?